A Justiça da Paraíba absolveu o pastor Péricles Cardoso de Melo e a esposa dele da acusação de estelionato continuado em um processo que investigava um suposto golpe de aproximadamente R$ 3 milhões contra fiéis de uma igreja evangélica no bairro de Mangabeira, em João Pessoa.
A decisão foi proferida pela juíza Ana Christina Soares Penazzi Coelho, da 3ª Vara Criminal da Capital. Na sentença, a magistrada concluiu que, apesar de o processo comprovar que o pastor recebeu empréstimos, cartões de crédito e transferências bancárias de diversos fiéis, não ficou demonstrado que ele tenha agido com a intenção de enganar as supostas vítimas desde o início das negociações, requisito necessário para a configuração do crime de estelionato.
Ainda conforme a decisão, testemunhas relataram que o religioso chegou a cumprir parte dos compromissos financeiros assumidos antes de deixar de quitar as dívidas. A juíza também observou que não foram encontradas provas de enriquecimento pessoal e que parte dos recursos obtidos foi empregada em reformas e melhorias na igreja.
Em relação à esposa do pastor, a sentença destacou que não houve comprovação de participação dela nas negociações ou na obtenção dos valores, motivo pelo qual também foi absolvida.
Relembre o caso
O caso ganhou repercussão em 2023, após investigações apontarem mais de 30 supostas vítimas e um prejuízo estimado em cerca de R$ 3 milhões. Na época, a Polícia Civil informou que o pastor utilizava a confiança conquistada junto aos fiéis para solicitar empréstimos, cartões de crédito e contribuições financeiras, alegando que os recursos seriam destinados ao pagamento de despesas e à realização de obras na igreja. A própria congregação também teria sofrido prejuízo financeiro.
Em outubro daquele ano, o pastor divulgou um vídeo nas redes sociais afirmando que havia sido alvo de difamação. Na gravação, ele admitiu ter utilizado cartões de crédito emprestados por membros da igreja, mas negou a prática de golpes e afirmou que sempre pretendeu quitar os valores.
Dois meses depois, em dezembro de 2023, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba manteve a prisão preventiva do religioso. Posteriormente, ele passou a responder ao processo em liberdade até a sentença que resultou na absolvição.
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